A nada isenta imprensa gaúcha

“Não acredite nos jornais, nem na TV eles só querem te manipular”. Sempre considerei esta, uma da mais estúpida das frases, mania de conspiração, bando de loucos.

Mas os recentes fatos vêm trazendo, a este que vos escreve, um tempo de reflexão sobre a parcialidade escancarada dos principais veículos de comunicação do estado, que em sua maioria são parte do Grupo RBS. O fato mais recente e que merece destaque é a sangrenta ação da Brigada Militar contra os manifestantes do grupo intitulado “Defesa Pública da Alegria”, ou como popularmente ficou conhecido o evento, a Batalha do Tatu-Bola, nome este que a mídia isenta resolveu dar para tirar totalmente o foco do movimento.

Os manifestantes, já há algum tempo, vêm se organizando e protestando contra a privatização dos espaços públicos, principalmente as praças da capital gaúcha. O tatu-bola era gigantesco e localizava-se no centro do Largo Glênio Peres, local que apresenta grande fluxo de pessoas diariamente, por estar no centro da capital em frente à prefeitura, além disso, trazia em seu peito uma camiseta proporcionalmente gigante com o logo da Coca-Cola, patrocinadora oficial do evento da FIFA.  O protesto, que durou mais de 6hrs antes da confusão, tinha como objetivo demonstrar a indignação de seus participantes, com a utilização de um espaço destinado ao povo porto-alegrense, para o marketing de uma corporação internacional. Pode parecer besteira, mas as praças são do povo, e não deveriam ser utilizadas para o benefício de entidades privadas, e este sim deveria ser o foco das discussões veiculadas na mídia.

O grupo de manifestantes foi massacrado pela brigada militar, que alegou depredação do patrimônio público e perturbação da ordem para justificar sua ação truculenta. E foi isso que a mídia relatou – “um bando de desordeiros que queriam derrubar o tatu, foi justamente punido pela ação correta da BM”. Ontem, porém veio à surpresa, O TATU-BOLA NÃO FOI DANIFICADO, o que torna a ação da BM autoritária desproporcional e ditatória.

E a pergunta que faço, porque a mídia não utiliza o mesmo espaço que usou para acusar os manifestantes para se retratar? E para por em questão a preparação psicológica dos brigadianos?

Ela não o faz por NÃO ser isenta. Um grande grupo, como a RBS, nunca será isento, SEMPRE defenderá o interesse de seus patrocinadores, um deles a Coca-Cola. A Zero-Hora hoje divulgou uma nota dizendo que os manifestantes não atingiram seu objetivo, pois o tatu-bola estava inteiro, como se este fosse o objetivo do movimento. É inaceitável que a mídia manipule o julgamento popular desta maneira, portanto “Não acredite nos jornais, nem na TV eles só querem te manipular” SEMPRE DESCONFIE.

Além de fantástica, esta imagem me lembra o novo prefeito da cidade.
tommyingberg:

“Fight”
www.ingberg.com

Além de fantástica, esta imagem me lembra o novo prefeito da cidade.

tommyingberg:

“Fight”

www.ingberg.com

Onde você guarda o seu racismo?

O Brasil dos Brancos

Muito se escuta nas ruas e bares brasileiros sobre a existência ou não do racismo em nosso país, na maioria das discussões, a conclusão é de que o racismo não existe, que as oportunidades são iguais e os negros é que são um bando de preguiçosos. Será?

Na nossa cidade extremamente desenvolvida e europeia (risos) é óbvio que não deve existir, pois somos um povo tão politizado, educado e gentil, às vezes, somos até engraçados demais, como no caso do fundador da rede de mercados Andreazza que contou a piada sem racismo nenhum sobra à semelhança entre um fusca com o pneu furado e uma mulher negra esperando um filho, imagina se há racismo nesta piada, apenas porque ao concluir, o patriarca dos mercados diz que os dois esperam por um macaco. Comprovado então que não há racismo em Caxias, vamos falar de Brasil, que diferentemente da nossa realidade majoritariamente branca (78%) o Brasil é em sua maioria negro, 56%.

Mesmo constatada esta maioria, os negros não são maioria na TV, não são maioria no Senado, nas Câmaras Municipais, nas universidades (apenas 2% dos estudantes são negros) e muito menos nos bares e restaurantes das zonas nobres das cidades, alias poucos negros se veem nas zonas nobres da cidade. Neste final de semana, o Ministro Relator do processo do Mensalão, Joaquim Barbosa, deu uma entrevista brilhante e ao mesmo tempo chocante para a Folha de S.Paulo, Barbosa relata a folha que sofreu racismo na infância, na adolescência, na maturidade e ainda sofre hoje, também mostrou sua indignação ao dizer “A imprensa brasileira é toda ela branca, conservadora. O empresariado, idem. Todas as engrenagens de comando no Brasil estão nas mãos de pessoas brancas e conservadoras”, parece exagero, mania de perseguição, mas a seguir mostraremos números da pesquisa do economista Marcelo Paixão sobre o caso. Antes disso vale salientar as criticas do rapper Emicida ao programa Zorra Total (é claro que a Globo não divulgou), revoltado escreveu uma carta em seu facebook sobre a “desvalorização da mulher preta” e a “ditadura eurocêntrica de beleza”, a revolta é recorrente, Adelaide personagem em questão, é negra, pobre e desdentada, e não só isso, mas ela é a única personagem negra de todo o programa, e é exposta desta maneira, extremamente racista, o que motivou diversas ações na justiça contra a deplorável atitude.

Pois bem, comentadas as diversas esferas em que o racismo se manifesta de forma escancarada em nosso país, sem citar o caso Monteiro Lobato, vamos aos números. Marcelo Paixão, em pesquisa publicada em 2007, demonstra através do IDH, índice de desenvolvimento humano que leva em conta habitação, educação, expectativa de vida e renda per capita, as diferenças entre as raças branca e negra no Brasil. No geral o país do futebol encontra-se em septuagésimo (70°) colocado em um total de 182 países, porém quando feito um recorte, vê-se os brancos brasileiros no 47° lugar, entre Croácia e Costa Rica, com um alto índice de desenvolvimento humano, já os negros encontram-se no 92° lugar, entre Tunísia e Ilhas Fiji (45 posições abaixo dos brancos). Paixão afirma ainda que, “O IDH dos negros, em 2005, era inferior ao IDH dos brancos dez anos antes”, fundamentalmente os negros brasileiros no século 21 têm condições inferiores aos brancos do inicio da década de 1990.

Não sei como você leitor encara o fato, mas o racismo é latente em nosso país, é tão latente a ponto do Dr. Em ciências sociais Carlos Moore, comparar o tratamento recebido pelos negros no Brasil ao recebido pelo Dalits Indianos. Está na hora de acordar e tirar a venda dos olhos e os tampões dos ouvidos.

Magnífico! O sempre fantástico Salvador Dali e sua caveiras.

Magnífico! O sempre fantástico Salvador Dali e sua caveiras.

(Fonte: de-la-creme)

Cultura: quatro anos para não fazer

Linkando o excelente texto do autor da coluna 3por4 do jornal de maior circulação na cidade. Concordamos com a posição, e reiteramos que, a cultura vem afundando em Caxias do Sul. Quem tem olhos e ouvidos percebe.

Um quarto dos votantes em Caxias do Sul, não votou para prefeito!

É isso mesmo, se somarmos o número de abstenções com o número de votos Brancos/Nulos temos um total de 79.179 pessoas que não participaram diretamente da eleição para a prefeitura de Caxias do Sul. Foram computados 240.571 votos válidos de um total de 319.750 votos possíveis, para termos uma ideia da gravidade imposta por estes protestantes faremos algumas comparações.

Se todos os ausentes ou protestantes (pelo menos eles se acham assim) houvessem votado em um candidato que não fosse Alceu a porcentagem do pedetista cairia de 57,23% para 43,06%, os não votantes foram superiores a votação do segundo colocado, Marcos Daneluz (64.211 votos), estes representam um número maior que o dobro dos demais três candidatos, Assis Melo, Milton Corlatti e Possamai (38.671 votos), ou voltando as comparações com o pedetista, os votos nulos/brancos e abstenções são mais que a metade dos votos do prefeito eleito, não dá para negar a distorção que estes protestantes causaram a eleição.

Infelizmente o povo está abdicando de seu papel na democracia, a falta de informações e de capacidade intelectual, impostas a grande massa da população brasileira afasta cada vez mais os eleitores das urnas, e continuará afastando tornando cada vez menos representativas as eleições. Esta abdicação trará cada vez mais distorções aos números apurados nas urnas, e uma parte disso está acima descrito, é um fardo que carregaremos durante anos, devido à falta de educação de qualidade que os políticos tanto prometem, à falta de cadeiras de ciências econômicas e políticas no ensino médio. Mas é isso que os larápios desejam, uma massa de manobra facilmente conquistável e revoltados anulando o voto ao invés de escolherem um candidato.

Aos larápios caxienses, CLAP CLAP, vocês estão no caminho.

Para muitos a maior banda da história do rock gaúcho, Os Cascavalletes revolucionaram a cena musical do estado no final da década de 80 início dos anos 90, no LP de 1991 que de um lado tinha Sob O Céu de Blues, um dos maiores sucessos da banda, no lado “b” tinha este som irreverentissímo, principalmente para a época.

Enjoy.

art-from-aerosol:

2 All-Star street artists (Blu + Os Gémeos) on this collaboration in Lisbon back in May of 2010.

A liberdade de interpretação

É fascinante. O poder da interpretação é dado a todos, há alguns que infelizmente não o usam ou pela falta de capacidade ou mesmo por não tentarem entender e interpretar um texto ou uma situação, não sabem o que perdem.

Ontem mesmo um texto simples aqui publicado trouxe diferentes interpretações e aplicações para os diferentes leitores, alguns levaram até mesmo para o lado político, brilhante, a política mesmo estando fora do contexto do texto entrou com força em alguns debates nas redes sociais. Isso se deve ao momento que cada um vive, e com isso o texto pode fazer um sentido ou outro, isso explica por hora, a tese de que a bíblia nunca é igual mesma que lida demasiadas vezes, é isso, ela sempre fará um sentido diferente, mas também será assim com uma poesia, com o texto de ontem ou com ‘qualquer’ frase do Caio Fernando Abreu.

Mas interpretação não é livre somente nos textos, é livre nos gestos, nas atitudes no tom de voz de cada um. Com isso vemos diferentes debates políticos, diferentes campanhas eleitorais, diferentes ações da policia militar, alguns veem cinismo em tudo, outros por sua vez, não compreendem nem mesmo a mais deslavada das mentiras, não leem as inúmeras entrelinhas presentes no nosso dia-dia. Poucos foram os que entenderam que o mal que atingiu o Planalto Central já tomou conta de Caxias, ganhou força em Porto Alegre e aos poucos vem tomando conta do Brasil. Qual é este mal? Cabe a você interpretar.