Porque o capitalismo deveria ser o tema das manifestações
O Brasil Acordou. A frase estampa jornais, redes sociais, revistas e até muros e paredes. Uma onda de protestos vem tomando o Brasil, esta segunda o ato reuniu cerca de 300 mil pessoas nas ruas brasileiras com diversas reivindicações. A mídia brada por aí que o estopim foi o preço da passagem, mas que hoje o ato é contra várias coisas. Será mesmo?
Corro o risco de ser bairrista neste comentário, mas acredito que o inicio foi em Porto Alegre, quando o grupo de manifestantes criminalizado constantemente pela RBS conseguiu nas ruas a revogação do aumento da passagem de ônibus. Com esta crença contrario a mídia que alega que tudo começou pelo preço da passagem, o grupo que revogou o aumento na capital gaúcha vem crescendo desde a privatização do Araújo Viana, que talvez muitos gaúchos nem tenham ouvido falar. A privatização de um espaço historicamente público e de grandes confraternizações populares, feita pelo prefeito Fortunatti, foi alvo de manifestações de um grupo de jovens que não aceitava ter seu espaço tomado pela iniciativa privada. A mídia porto-alegrense tratou de defender a privatização e chamar os jovens de maconheiros, desocupados, baderneiros e etc. O grupo não se calou, não desistiu de lutar contra a violação do espaço público e derrubou o tatu bola da FIFA e da Coca-Cola que havia sido colocado no meio de uma praça em Porto Alegre privando os cidadãos daquele espaço.
O tratamento da mídia continuou o mesmo e sei que muitos dos que vão as ruas hoje condenaram este grupo que derrubou o tatu bola. Este grupo cresceu, se uniu a outros manifestos de forma ordeira e conquistou junto aos demais movimentos presentes a revogação do aumento da passagem.
Pois é o início de tudo não foram as passagens, foram as privatizações de espaços públicos. Qualquer pessoa minimamente esclarecida sabe que as privatizações são práticas pregadas aos quatro ventos pelos capitalistas neoliberais, acreditam que o capital resolve tudo que o direito individual deve ser pregado acima de tudo, nunca o coletivo. O processo de mudanças que hoje toma conta das ruas brasileiras teve seu inicio no combate a ordem do capital, ordem que causa todos os problemas que os cidadãos estão nas ruas a criticar.
Afinal de onde vem a corrupção? Ela surge quando um homem do estado se vende ao poder do capital. Ele abre mão de cumprir suas tarefas públicas para obter lucro individual, muitas vezes este lucro individual é financiado por empresas que serão beneficiadas da atitude do home do estado e assim também obterá lucro. Em resumo nada mais capitalista que a corrupção, afinal não vivemos em um sistema que prega a liberdade individual e o lucro?
O preço das passagens não é culpa de um ou outro prefeito, ele é um resultado do sistema. As empresas privadas “compram” o direito de explorar o povo e os governantes vendem. De tão simples chega a ser boçal.
Aí os protestos criticam a precariedade na saúde pública, na educação, nas rodovias e etc. Além disso protestam contra os gastos com copa do mundo, contra a corrupção, contra o salário dos deputados e por aí vai. Mas pera aí, não é tudo a mesma coisa?
Não entendeu? Vou explicar. Os serviços públicos não possuem fins lucrativos, logo o capital não se interessa por eles. Aliás, o capital ajuda a depreda-los, quando empresas privadas que vendem bens e serviços a entidades públicas corrompem o servidor público em busca do lucro os serviços públicos vão tornando-se cada vez piores. As empresas são atendidas pelo servidor que também deseja obter lucro na maioria das vezes, é uma obviedade quando vivemos sobre a ordem do capital. Já a copa por sua vez deixa muita gente rica, não o povo, o trabalhador mas sim os empresários e políticos que defendem seus interesses e por isso é amplamente financiada e divulgada por uma mídia que também ganha uns trocados.
Não adianta ir as ruas protestar contra tudo e não protestar contra o causador de tudo.



